31.10.06

A ética de fraque

Quem lida com o poder público (legislativo, executivo e judiciário) sabe que o caixa 2, o dinheiro por baixo do pano, é a alma do negócio em 99,93% dos arranjos produtivos acertados em Brasília e pelos palácios estaduais espalhados pelo país. Para que ninguém se sinta de fora do listão incluo parentes, amigos, empresários, publicitários, jornalistas e peço desculpas antecipadas pela enorme quantidade de pessoas que esqueci de listar. A ponta do exemplo mais concreto dessas falcatruas todas foi exposta no programa Roda Viva quando este recebeu o ilustre convidado deputado Roberto Jefferson. Logo no início da entrevista Jefferson denunciou, entre outras coisas, a existência de caixa-dois na campanha de FHC (da presidência para baixo cabem todos). Na ocasião os presentes e também os ausentes silenciaram e nenhum brasileiro nunca mais ouviu a imprensa ou os envolvidos tocarem no assunto.
Essa história faz parte de um compêndio sobre a ética de fraque dos que vivem com o rabo preso que nunca foi e nunca será escrita. As palavras do deputado: “Que conversa é essa? Estou estranhando tudo isso. Parece que estamos num convento de freiras. Pensei que fôssemos discutir aqui financiamento de campanhas políticas. Vocês sabem disso tudo que estão me perguntando” ainda estão paradas no ar.
Porque escrevo essas linhas?
O espírito que hoje permeia, em meias palavras ou em elipses, as colunas e as declarações dos derrotados nas eleições (e seus amigos) é a de que o eleitor responsável pela vitória do presidente passou a conviver com a falcatrua sem dar a devida importância a ela.
Esses são covardes. Gente que abusa do acesso aos meios de comunicação para dedilhar versões e não fatos.
A eleição de 2006 fez o pano cair. Os que se sentiam reis, ficaram nús.
Durante os oito anos de governo FHC campeou o coleguismo, uma versão piorada da partidarização.
Aos amigos e colegas tudo, aos inimigos a lei. E o tudo neste caso (por baixo) incluía passagens aéreas, hospedagens em hotéis requintados, verba farta, contratos quase que legais e boca fechada.
De fraque tudo era possível. Os escribas da corte por não serem anotadores de jogo do bicho achavam que o paraíso era eterno.
Tolos.

Um tsunami popular fez a maré virar e, a frouxidão de pernas e carácter deles, criou a possibilidade para que o presidente Lula - que vivia com as horas contadas - ressuscitasse ao terceiro dia.
Que fique claro uma coisa definitivamente: se há um convento de freiras ele não abriga nem tucanos, nem pefelistas, nem jornalistas, nem uma lista quase infindável de nomes que teimo em esquecer.
A memória pode me faltar, a eles tenho certeza que não.
Enchi...de abrir os jornais e ver carmelitas dando declarações e irmãs inclausuradas assinando artigos e colunas.
Como resume um amigo: saco!

3 comentários:

Anônimo disse...

INACREDITÁVEL A SÊDE DE PODER E DE HOLOFOTES QUE OS TUCANOS E "COLEGAS" TÊM.
58 MILHÕES DE VOZES SÃO POUCAS?

Anônimo disse...

O que mais me impressiona é a cara de pau com que eles se apresentam frente a tv para falar. O tal do Artur Virgilio e o FHC são exemplos gritantes. O Virgilio tem o apoio de apenas cinco por cento do eleitorado na terra dele e FH não chega nem a 2 por cento. Por isso foi tirado do ranking das pesquisas dos grandes institutos. Resumo da ópera: porque eles não vão cantar em outra freguesia?

Anônimo disse...

Peço licença para assinar também o texto do Perez.