25.8.06

Dançando conforme a música

Uma onda moralizadora varre os TREs. Às centenas, candidaturas a deputado e senador são impugnadas. É bem verdade que a maior parte delas acontece pela simples falta dos documentos exigidos para inscrição. Mas essa é uma outra história. Quero falar é do tsunami moralizador que percorre o Brasil e por ser tão forte alcançou até as Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Quem diria: a partir deste ano, preparação para quando o carnaval de 2007 chegar, vai ser obrigatório que os técnicos que trabalham no arremate dos desfiles tenham suas vidas regularizadas junto a Delegacia Regional do Trabalho para que só assim a Escola entre na área de concentração legalizada.
Os batidores do mundo do samba e da política nacional sofrem faz anos do mesmo mal. Hoje, por debaixo do pano, longe dos olhos da Receita Federal, grandes empresas investem e patrocinam Escolas de Samba e Campanhas Eleitorais para TV e rádio. Nas duas atividades, seja a dos barracões do samba, seja a das agências e produtoras de programas eleitorais o compasso do caixa 2 (a la Marcos Valério) é quem dita o ritmo. O swing do dinheiro por baixo do pano que contagia muita gente impoluta me parece estar com os dias contados. Mas nessa onde de moralização será preciso uma boa lupa para que não se confunda o joio com o trigo na hora das responsabilidades. Na Escola de Samba está claro que quem manda é o presidente, na campanha eleitoral: o candidato e o partido. Nenhum dos dois, quando o tsunami da retidão começar a molhar os pés pode alegar diante do fisco que não sabia de nada. A Receita Federal, como é público, não terceiriza.

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