14.8.06

Boa sorte, governador!

A UNIÃO POR PERNAMBUCO DISPUTA O PRIMEIRO
MANDATO DE MENDONÇA OU O TERCEIRO DE JARBAS?

Mendonça Filho é um político diferente. É introvertido, não é dado à polêmica, defende-se melhor que ataca. Sua imagem foi diligentemente construída pelo PFL de Pernambuco, que viu nele uma pessoa capaz de dar continuidade à linhagem política de Marco Maciel, Roberto Magalhães, Gustavo Krause. Nos últimos tempos, o PFL dedicou a Mendonça todos os espaços de mídia gratuita, investindo na mensagem de sua competência, experiência e preparo para governar.

Hoje o governador está perdendo a eleição por 5 a 7 pontos de diferença entre o que tem e a soma dos seus adversários. Algo entre 200 a 300 mil votos. Vai para o segundo turno precisando arrancar essa diferença nos votos do terceiro colocado.


Portanto, Mendonça não pode fazer uma campanha de arrasa-quarteirão no primeiro turno, porque tem que deixar portas abertas para o segundo. Além disso, depois de oito anos no poder, seu grupo político não pode ficar acusando o governo Arraes de todos os males de Pernambuco. Hoje a percepção do governo Arraes tem mais de cinqüenta por cento de aprovação. Se em vida já era mito, depois de morto Miguel Arraes entrou para a história. Não se briga com mitos em disputas eleitorais.


A questão da segurança, por exemplo, deve ser tema de destaque nas campanhas em todo país, e também em Pernambuco, que tem altos índices de criminalidade. Dizer que a segurança era ruim no “governo PSB-PT” não resolve. A questão deve ser encarada propositivamente, justificando o que foi feito e dizendo o que será feito para garantir mais segurança às pessoas nos próximos anos.

O governo de Pernambuco gasta muito em segurança. Segundo dados disponíveis na Internet, dos R$ 8 bilhões que o estado arrecada por ano em receitas próprias, R$ 1,2 bilhão destina-se à segurança. Na saúde o estado gasta R$ 400 milhões, e na educação R$ 300 milhões. Ou seja, Pernambuco investe em segurança quase o dobro do que investe em saúde e educação juntas! A questão é basicamente de gestão – é isso que deve ser discutido na campanha.

A eleição de 2006 representa a renovação das lideranças políticas de Pernambuco. É a primeira eleição depois do valerioduto, depois do mensalão. O eleitor parece estar mais atento, e a mídia também.

Nos grupos de pesquisas qualitativas que assisti no Recife, os eleitores se mostraram interessados nas propostas de cada candidato. O que está em discussão é o primeiro mandato de Mendonça, Humberto ou Eduardo, e não o terceiro mandato de Jarbas. Aí está a razão da minha saída: eu acho que a disputa é pelo primeiro mandato de Mendonça (antes era vice); Lavareda acha que o que está em jogo é o terceiro mandato de Jarbas.

Antonio Lavareda é o Opus Dei do pensamento político-eleitoral. Age como se fosse o último templário. Exemplos dessa “estratégia” são os últimos programas do PFL nacional: uma coleção de achincalhes contra Lula, contra o PT, que não resultam na mudança de um voto sequer, pois são apenas xingamentos. Lavareda hoje só atende a direita da direita, como o Bornhausen e o Sarney. Foi dispensado pelo PSDB e perdeu até um antigo feudo no Ceará.


Achava que ele tinha percebido seu isolamento quando me convidou para coordenar a comunicação da campanha de Mendonça Filho. Reafirmou diversas vezes que ia ser apenas consultor, pois já tinha errado bastante na campanha de Cadoca em 2002, quando se provou, mais uma vez, que o ‘modelo Jarbas’ só serve para o próprio.


A eleição em Pernambuco é a mais equilibrada entre todos os estados brasileiros. Acredito que será decidida no segundo turno por uma diferença entre 200 e 300 mil votos – mais ou menos a diferença que separa hoje Mendonça da soma de Humberto e Eduardo. Já fiz nove campanhas políticas; perdi duas e ganhei sete. Estava me preparando para ganhar a oitava. Boa sorte, governador!


José Roberto Berni trabalhou nas seguintes campanhas: Waldir Pires (Bahia, 86), Roberto Santos (Bahia, 90), Jarbas Vasconcelos (Recife, 92), Jaime Lerner (Paraná, 94, 1º turno), Antonio Brito (Rio Grande do Sul, 94, 2º turno), Fernando Henrique (presidente, 98), José Serra (presidente, 02), Aécio Neves (Minas, 02), João Henrique (Salvador, 04).