31.8.06

Alhos por bugalhos

A última pesquisa do Datafolha sobre o horário gratuito na tv revela que nesta eleição, e repito nesta eleição, apenas 6% dos eleitores brasileiros afirmaram terem mudado de voto por causa da propaganda eleitoral.
Pergunto: o candidato A perdeu 6% dos votos e eles migraram para o candidato B ?
Veja bem, se assim foi a diferença entre A e B aumentou 12 pontos percentuais, o que em votos válidos é um número muito superior ao que a candidata C, que hoje ocupa o 3º lugar, possui. Digamos, um percentual prá lá de consistente.
Os números crescem quando a pesquisa revela que dos entrevistados, 55% afirmaram não terem assistido ao horário eleitoral. O texto complementa que "isso demonstra que a influência da propaganda gratuita tem sido pequena sobre os eleitores". Uma conclusão que me parece precipitada.
Veja bem, se 45% dos eleitores viram o horário eleitoral, esse universo se transforma em 100% de telespectadores. Se lá em cima esse número representou os 6% que mudaram o voto, isto quer dizer que no universo dos que viram os programas esse percentual pula para a casa dos 13% e picos. Um número nada desprezível. Se 6% do total já era consistente, 13% e picos me parece cavalar; arrisco - muda uma eleição.
Agora é bom atentar que nessa eleição de 2006, quando começou o horário eleitoral, grande parte dos votos já estava consolidado. Quem era Lula era Lula, quem não era ia escolher um outro. Neste cenário plebiscitário (Lula ame-o ou deixe-o) 6% prá lá ou prá cá ganha muito mais relevância. O resultado real do Datafolha só não está na manchete porque o esporte da vez é o de jogar areia na vitoria acachapante do presidente. Manchetes dúbias fazem parte da operação desmonte. Se essa minha tese é alarmista o Datafolha explique a base da manchete. Dizem eles: "dos 43% dos eleitores que acompanharam os programas na televisão e têm candidato, 37% não mudaram a opção de voto".
Pergunto: 37% dos eleitores que passam a representar 100% dos telespectadores ou o que?
Então tá....

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