Sei que não é muito mas já é algum: o Bué de Bocas passa a torcer, a partir de hoje, para que a seleção brasileira de futebol não chegue lá. O momento não podia ser melhor, o motivo é reto e direto: as mortes nas ruas e nas salas de aula no Rio de Janeiro e as 492 mortes em São Paulo (em apenas uma semana). Chegamos no topo, essas mortes são o nosso Everest. O que as vitórias da seleção canarinho têm com isso, explico. Se tamanha calamidade fosse na vizinha e rival (no futebol) Argentina o povo já teria saído às ruas - sem mãos dadas, sem pombinha da paz. Os hermanos, no mínimo, gritariam pelos seus direitos, quebrariam palácios, vidraças e bancos - se fariam ouvir. Aqui não. Todos irão ver a Copa e fingir que o Haiti não é aqui. Só para deixar claro, 492 mortes no Haiti atendem pelo nome de guerra civil, enquanto no Brasil isso nem deu manchete, não é nada.Logo, para não ficar de braços descruzados torcendo por Ronaldinhos e companhia, inicio uma campanha testando o poder dos blogs e dos brasileiros: vamos às ruas exigir - dos que sempre se esconderam - a educação prometida, a saúde de direito e a segurança devida. Independentemente das eleições se não colocarmos o barco no rumo, nossa canoa vai virar.
Porque os jornalistas estão com o rabo entre as pernas com as 492 mortes e não colocam para valer a boca no trombone?
Porque os cariocas não foram as ruas pelas 17 crianças baleadas, pelas dezenas de Rodrigo Netto desconhecidos que não dão audiência e nem vendem jornal ?
Que país é esse onde os responsáveis pelas mortes em São Paulo e no Rio de Janeiro ainda têm a desfaçatez de se candidatarem a presidência colocando a culpa das suas omissões no vizinho mais próximo, no adversário político da vez ?
Somos cidadãos ou uns bostas n'água ?
Com essa campanha singela espero ter logo uma resposta.
Passe a diante.
2 comentários:
Tenho o mesmo pensamento e a mesma vontade de ver o Brasil fora da próxima etapa da competição mundial.
Os 20 anos de ditadura fizeram isso com os brasileiros, ou seja, transformaram o povo em "cordeiros". Porque não adiantava reclamar ou a quem reclamar, as pessoas se habituaram a aceitar tudo que lhe foi imposto.
Neste incipiente modelo de democracia, também não temos a quem recorrer, embora vivamos no tal Estado de Direito. Pura fantasia!
Levará décadas, infelizmente, para que o brasileiro deixe a passividade e se torne tão coesa como nos momentos de copa do mundo.
concordo e já passei para o Blog
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